Para Zupi e Voxel com carinho.

Apesar de soar como autopromoção, não poderia deixar de comentar por aqui essa novidade. Topei o desafio estou colaborando com os portais da Zupi e da Voxel Show. Por mais que seja interligados, cada um trabalha com temas distintos. Na Voxel as pautas estão sempre em torno de arquitetura, paisagismo, design de produto e interiores. Tópicos que nunca havia pensando em escrever antes mas que estão me surpreendendo. Já a Zupi cuida do design gráfico, ilustração e… moda, tema que tento abordar sempre que esteja linkado com os dois outros viéses do site.

Entre as últimas matérias estão uma sobre o artwork incrível da ilustradora russa Yulia Brodskaya feito com papel…

a nova coleção e loja virtual da SG por Sérgio Gurgel

E os ambientes descoletes clicados por Todd Selby para o seu The Selby (não muito atual mas não menos interessante).

Encontrou alguma sugestão de pauta bacana? Não hesite em mandar para o clarissamachadocamara@gmail.com

Bonequismo fashion de Andrew Yang

Depois da coelha trashionista Fifi Lapin e das Matrioskas da Vogue Russia, eis que surgem as bonequichas de Andrew Yang, confirmando a vontade de imprimir a identidade das marcas nas mais diferentes plataformas. Yang, nascido em Utah radicado em NY, foi por muitos anos assistente de Dennis Basso até dar início ao ofício das Kouklitas (bonecas em grego), nome dado as suas criações.

Katie Eary, Gareth Pugh e Rick Owens à esquerda e Proenza Schouler na direita.

Comme Des Garçons e Marc Jacobs.

Quem pensa que a brincadeira de criança tá muito engando. Yang aceita encomendas mas não confecciona por menos de US$ 600. A revista The Block pagou para ver e resultou no editorial Valley of the Dolls, com dez looks significativos da temporada de summer/spring 2010.

Lanvin ; Ann Demeulemeester e Givenchy.

O que me faz gostar das Kouklitas mais do que de outros toys? O ar sombrio e levemente melancólico juntamente com o fato de que todas parecem personagens de uma animaçãodo Tim Burton.

Fashion bloggers of the world, unite and take over?

É tanta coisa rolando que mal consigo organizar os acontecimentos. Que tal começarmos pelo que é mais divertido? Como boa parte de nós ficamos sabendo, a “de menor” Tavi inventou de ir para o desfile couture da Dior com um laço maior que a cabeça, o que claramente barrava a visão da pessoa que estava na fila B, logo atrás dela. Essa pessoa, no caso, se tratava de Paula Reed, editora chefe da revista inglesa Gazia que no mesmo instante postou o que via no Twitpic.

O laço descomunal de Tavi na primeira fila da Dior couture e ao lado, fazendo festa com a Galliana: ela esqueceu a noção em Chicago, só pode.

Foi o estopim para dar início ao debate blogs de moda versus mídias tradicionais. A moçinha de 13 anos vinda do suburbio de Chicago não estava naquele exato lugar de graça. O retorno de um blogueiro bem cotado é muito maior do que um comprador de Dubai ou editoras de médio porte. Altacostura é apenas uma estratégia de marketing usada com intuito de reforçar a supremacia da maison e vender perfumes, cosméticos e óculos. Ou seja, produtos que os leitores de Tavi e outros blogueiros têem acesso.

Desde o ano passado a blogosfera de moda não está mais sendo vista como mera geradora de propaganda espontânea e sim donos de uma influência singular, como ressalta Susie Mesure, em artigo para o inglês The Independent. Em Fluff flies as fashion writers pick a cat fight with bloggers Mesure trata os blogs como plataformas de reproduzir releases sem maiores critérios e por isso soam tão atrativos às marcas.

Uma das poucas citações da matéria é do editor associado da GQ, Robert Johnson, conferere ao blogueiro de moda a imagem de um ser deslumbrado. “Os blogueiros são tão atraentes para as maisons por serem obcecados e ficam atentos a tudo, mas eles não têm senso crítico para saber o que é bom ou que não é. Logo que eles forem convidados para os shows, eles já não podem criticar, porque então eles não serão convidados novamente”, relata, fechando a matéria.

Declarações como essa levaram Imran Amed, do The Business of Fashion, escrever What The Independent Article Didn’t Tell Us, uma espécie de manifesto à matéria de Mesure. Imran reconhece o poder do debate iniciado no Independent mas acredita que o buraco é mais embaixo. À começar por ter sido um texto unilateral, sem constar opinião de nenhum blogueiro.

Mesmo considerando quem se vende, o post afirma a integridade e profissionalismo da maioria dos bloggers, esses conscientes de que se forem comprados pelas marcas logo perderam a credibilidade conferida pelos leitores. O interessante é encontrar um equilíbrio entre falar a verdade para os leitores e manter um bom relacionamento com as marcas.

Temendo esse bom relacionamento, as grandes editoras fazem de suas Cartas ao Leitor recheio para anúncios de peso pesado, na tentativa fazerem a publicidade nos sites parecer cada vez menos atrativa. Por mais que os blogues tenham vindo para ficar, uma indústria que evoluí desde os tempos de Gutembergue para ter tamanho poder nos dias atuais não deveria temer esse tipo de mídia alternativa. “Se levou centenas de anos para a imprensa para evoluir e ir além da panfletagem tendenciosa, então por que eles esperam que o ato de blogar amadureça da noite pro dia? Se for assim, eu diria que os blogs estão amadurecendo muito mais rápido que a imprensa nunca fez!”, reflete sabiamente a também editora do BoF, Vikram Alexei Kansara.  Não apenas esse tipo de pensamento diminuí a tensão entre ediotres e blogueiros mas também a tendência de usar as mídias sociais podem transformar a moda em uma indústria mais interativa, como sugeriu Helene Le Blanc do Luxe Chronicles.

Jennine Tamm Jacob, do The Covent e fundadora da rede Independent Fashion Bloggers, pensou similar e fez sua idéia tomar forma e nome: Evolving Influence, conferência de um dia com os top fashion bloggers dia 15 de fevereiro, durante a NYFW. Entre os escolhidos estão Bryanboy, Susie Bubble, Diane Pernet, Fashionista, Gala Darling, Signature9, Elle, BoF e claro, a piveta-bafônica Tavi. Ética, marketing e futuro dos blogs de moda são as principais pautas de discussão e todas contam com partipantes e mediadores de peso, à la Pense Moda. Para novaiorquinos, ainda dá para fazer a inscrição no hotsite. Lembrando que graças ao apoio da American Express, G-Star RAW e ModCloth o custo é zero. O resto do globo pode acompanhar o stream ao vivo no próprio IFB e ainda enviar perguntas com a tag #IFBcon.

No fim das contas, há bafos que vem para o bem.

uuuupdate: Tavi responde.

Alien beauty no inverno 2010: pega ou não pega?

A lantejoula pode até ter aparecido de novo mas quem realmente foi onipresente nas passarelas do eixo Rio-SP foi a tal sobrancelha apagada. Também conhecida como alien beauty, ganhou post em maio de 2008 para chegar por aqui no inverno 2010. Em ambas as épocas é vista como um recurso pouco usável na vida real. Começa pela árdua manutenção que requer retoque com água oxigenada ao menos a cada 15 dias. Sem falar que esse tipo de beleza estranha não combina com a maiora da situações sociais. Na pior da hipóteses, o efeito “testa larga” pode até sinalizar uma calvice que na verdade nem existe. Esse risco ninguém quer correr, certo? Caso sua vontade é apenas adicionar um pouco de drama ao make de festa, você pode apagá-las usando corretivo com pincel de rímel. Na hora de se desmontar não tem mistério: lavou, tá novo. Demaquilante e shampoo de bebê Jonhson tá aí pra isso.

No Fashion Rio…


Walter Rodrigues e Têca


Printing e Patachou


Aquastudio e Cavendish


Coven e Melk Zda


Espaço Fashion e Lucas Nascimento

“Tá, então porque uma tendência tão inviável de ser traduzida para o dia a dia apareceu em 9 a cada 10 desfiles?”.  Simples. A sobrancelha também é um elemento da maquiagem. Sua importancia pode ser diminuida ou amentada dependendo do efeito que os beauty artists querem passar. Em alguns casos servem para dá aplitude ao olhãotudo seguido da bocanada (e vice versa) assim como podem completar o minimalismo de uma pele totalmente pálida. Tanto no Fashion Rio quanto no SPFW foi oito ou oitenta: quem não descoloriu os pelos optou por marcá-los. É o caso da Alessa e Neon.

e no SPFW:


André Lima e Animale


Cavaleira e Cori


Erika Ikezili e Fabia Berzek


Glória Coelho e Maria Bonita


Rosa Chá e Simone Nunes

Quer dizer, a idéia de supermercado de estilo, sinônima dos tais rumos e vontades, é levada ao âmbito da beautè. Como deu para perceber, a (des)coloração da sobrancelha é apenas um dos itens que podemos modificar. A lista é vasta. Podemos escolher entre sombra glitter ou matte, blush saúde ou pó queimador bocão ou boca apagada, batom rosa ou coral, pele aveludada ou translúcida… Tudoaomesmotempoagora e com doses de bom senso, por favor.

Fotos: FFW/Agência Fotosite

update: No Fashion Notebook tem uma continuação desse post, focando principalmente a beleza de Givenchy altacostura.

SPFW inverno 2010: topmagreza é a pauta da semana

Sabe o que eu acho engraçado? É que temporada passada tavam todos comentando da hipermagreza da Barbara Berger. O que parece é que todas as outras modelos resolveram seguir o exemplo. Não entendeu? Com ajuda da Folha, vamos fazer uma linha do tempo para compreender melhor os ocorridos:

20/janeiro:
Moda tem que parar de sacrificar modelos – por Alcino Leite Neto e Vivian Whiteman
20/janeiro:
Hipermagreza domina passarelas da SPFW
– por Nina Lemos e Fernanda Mena
21/janeiro:
SPFW faz alerta sobre magreza a outras semanas de moda
– por Alcino Leite Neto
22/janeiro:
Moda esqualida

23/janeiro:

Evento tem poucas respostas para apelo

FERNANDA MENA
DA REPORTAGEM LOCAL

Dois dias após enviar uma carta alertando os principais atores da moda internacional sobre a hipermagreza atual das modelos, a organização da São Paulo Fashion Week obteve, por enquanto, poucas respostas de apoio.
O evento recebeu e-mails da revista “Vogue” francesa e do fotógrafo Nino Muñoz, um dos preferidos de Gisele Bündchen. A editora da “Vogue” americana, Anna Wintour, não escreveu diretamente à SPFW: encaminhou o alerta de Paulo Borges ao Conselho de Designers de Moda da América, que convidou o empresário para uma conferência sobre a saúde das modelos, em Nova York.
A carta da SPFW propõe um esforço conjunto para minimizar a onda de hipermagreza “e seus efeitos na indústria e na sociedade como um todo”.

Para Borges, diretor da SPFW, é preciso apoio internacional, já que as modelos passam a maior parte do ano trabalhando nos EUA e na Europa e importam de lá o padrão radical de magreza.
A “Vogue” americana seria a publicação mais influente para esse processo. É a única revista de moda de renome internacional que se recusa a publicar imagens de hipermagras. “Wintour já conseguiu acabar com a onda “heroin chic”, das modelos com cara de “junkie” nos anos 90″, diz Borges.

Há quem duvide do poder que vem de fora e ache que as mudanças devem começar no Brasil. “Paris não vai ajudar em nada. O Brasil tem força para resolver isso por aqui”, afirma o estilista Marcelo Sommer.
A crítica de moda Gloria Kalil discorda. “Esse tipo de ação precisa ser internacional. Nunca foi exigência brasileira ter varapau na passarela”, diz. “Para dar certo, tem que perseverar. Criar campanha de uma vez só é fogo de artifício.”

A SPFW criou em 2007 uma campanha de esclarecimento para modelos sobre problemas alimentares. Na mesma época, passou a exigir atestado de saúde das garotas. Por que, então, agora desfilam modelos com “magreza severa”, na classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS)? “Todas continuam apresentando atestado. Se não estão bem, temos de questionar o sistema de saúde do Brasil”, justifica Borges.

“O mercado todo tem de se reeducar. Se a magreza não entrar num desfile, mas continuar na publicidade e nos editoriais, não adianta nada”, diz André Hidalgo, diretor do evento Casa de Criadores.

Desconforto
Na SPFW, o assunto da magreza radical gerou desconforto. Equipes de TV dizem ter sido proibidas de entrar em alguns camarins para fazerem reportagens sobre o assunto. A assessoria de imprensa da SPFW nega que tenha havido restrições.

A organização do SPFW reteve a credencial de um fotógrafo da agência de notícias France Presse até que ele deletasse fotos feitas nos camarins dos desfiles, alegando que continham imagens de seminudez. A Folha viu as fotos e elas revelam, sobretudo, flagrantes da extrema magreza das modelos.

Borges destaca a responsabilidade da mídia. “A imprensa massacrou a modelo russa Karolina Kurkova em 2008, chamando-a de gorda. Fernanda Tavares até hoje sofre as consequências de uma reportagem de 2002 que falou de sua celulite. Foi cruel.”
No empurra-empurra do mundo fashion, quando assunto é magreza, a culpa parece ser sempre do vizinho. Entre o padrão esquálido das passarelas e a epidemia de obesidade fora dela, mais fácil dizer que os culpados somos todos nós.

***

Fiquei feliz que a polêmica da vez seja essa, não pela utopia de que o padrão vá mudar mas porque tudo na vida tem limite. Claro que eu, como a maioria, tem momentos de Carine Roitfeld e quer é ver costelas nas publicações ou como um IMC pode conseguir ser incrivelmente baixo e a menina ainda conseguir continuar de pé. Mas repito: tudo na vida tem limites. Uma coisa é a Lara Stone de biquini e outra coisa é o braço da Bruna Sotilli.



Lara tomando sol no começo do ano e Bruna desfilando o inverno 2010 de André Lima: a linha tênue entre corpo esbelto e esqualidez lado à lado.

O estopim do último SPFW foi exatamente esse: extrapolaram os limites. E como deu para perceber em todas as matérias da Folha, os culpados continuam implícitos, jogando um a batata quente pro outro. Enquanto isso, quem mexe com modas sabe que o padrão europeu é esse e que as meninas que trabalham fora passam por esse tipo de pressão. E que a maioria – maioria, não todos – dos estilistas locais gostam de encontrar as moças secas. É como se estivessem sido poupados do trabalho de mandá-las emagrecer.  Não é de graça que dentro de um casting as com menos massa corporal sejam as mais disputadas.

Outra coisa que eu acho engraçada é que no meio tempo brotam “internvenções” com as “gordinhas” (Monica Lucas faz um bom paralelo sobre isso aqui).  Desde a matéria sobre plus size models na Glamour americanaque deu o que falar – até a última V Magazine inteiramente dedicada ao tema e com tiragem esgotada nos EUA. Os dois editorais que revelam modelos G geraram tanta mídia espontânea que ficou difícil encontrar blog de moda que ainda não tenha publicado as imagens de Curves Ahead e One Size Fits All. O último, inclusive, quebra o tabu que muitas roupas não tão bem em moças acima do peso quanto nas franzinas ao colocar a chubby Crystal Renn ao lado da new face Jacquelyn Jablonski.

Sabe o que é irônico em tudo isso? Exatamente o que eu comentei no post da Mônica: que acontece na realidade é que muitas mulheres quando vêem modelos GG (ou 38/40) nas revistas acabam sentindo repulsa. Aquele pensamento de que “nunca ficar desse corpo” vem logo à cabeça, dando continuidade cultura da ampultação, sempre preferindo as “sem barriga”.

Por exemplo, o biotipo como o da Mulher Melancia não tem nenhuma ligação com a idéia de elegância. Não só pela atmosfera sexista pelas pelas curvas não teram a versatilidade de corpos com o da Barbara Berger, que pela magreza percorre inúmeros públicos e incorpora diferentes identidades das marcas. Quanto mais camaleônica uma modelo for, mais campanhas/desfiles/editoriais faz e, consequentemente, maior o sucesso. Sutís gordurinhas não entram na fórmula ao contrário físicos anoréxicos.

Resumo da ópera: mulheres e meninas continuarão querendo não ter barriga, coxas e afins baseadas no quem vêem na mída. Fato irrefutável. Modelos plus size também continuarão sendo vistas como freaks, não como exemplos de autoestima. Então por que não optar por Laras, Trentinis e Isabelis ao invés de Brunas e Barbaras? Por essas e por outras que admiriei muito a atitude do Paulo Borges.

Hit do verão: campanha Alexander McQueen summer 2010

Tô toda trabalhada no provincianismo, apenas acompanhado o SPFW em silêncio e parando tudo para publicar isso:


Campanha verão 2010 Alexander McQueen com Raquel Zimmermann dressed in cobras, como naquela música do The New Pornographers. A onda Avatar elevando a máxima potência o contato com a natureza e provando que muitas vezes em uma imagem de moda a roupa é o que menos importanta.

Ah, vi primeiro no Twitpic do FFW e depois corri para o site do McQueen em busca de uma foto maior.

update: e o “cobrismo” continua na sessã0 de acessórios da Vogue Paris de fevereiro ….

Fashion Rio: cópia literal ou peça da temporada

Tive dois contratempos pessoais que me impediram de cobrir o Fashion Rio aqui para o blog. Primeiro que voltei das minhas férias fortalezenses quando o evento já estava na metade. E logo quando voltei para São Paulo uma cadelinha dálmata chegou aqui em casa. Por mais que seja uma fofura, dá um trabalho que só vendo. Entre a limpeza de um xixi e outro, acompanhei tudo pelo FFW, que por sinal está digno do posto de Style.com brasileiro, mas isso é outra estória. O que pude perceber, além do eufemismo gerado pelas Olimpíadas 2016, foram as cópias.

E falar tão abertamente de cópias é no mínimo arriscado. Quanto mais numa era onde o WGSN é considerados entidade suprema dos direcionamentos globais a nivel de consumo.  Enquanto todos batem na tecla do fim da velha tendência para a chegada de novos rumos e vontades, há sempre aquelas peças-desejo que vão guiar uma temporada. O público geral vai querer e se o designer souber adaptar para a identidade da sua marca a peça passa a fazer sentindo. Sem falar na garantia de vendas. O problema é quando a adaptação não acontece e o produto final se transforma em uma interpretação literal. Cópia, no popular. Pior é quando a referência vem de um passado recente, o que acaba perdendo o sentido.

Durante os seis dias de FR deu para observar casos em que isso ficou bem percetível. Seja como cópia literal ou peça da temporada. Aproveitei para selecionar os mais interessantes.

O primeiro lugar vai para… Filhas de Gaia. Até um leigo nas artes trashionistas reconheceria a semelhança entre o look do verão 2008 da Balenciaga para o inverno 2010 da marca. Já que mencionamos datas, por que raios “se inspirar” numa coleção antiga? Tanto summer 2010 na parte de desfiles do Style.com e as estilistas Marcela Calmon e Renata Salles vão direto para uma apresentação de quase três anos atrás?  Oi?

Balenciaga verão 2008 X Filhas de Gaia inverno 2010

A coleção invernal da Printing pode ser considerada um álbum de figurinhas. Sim, porque com a colagens de looks da Lanvin que eles fizeram… Desde sua estreía, há três  tempoadas, a marca mineira aposta em elementos gringos. Para as estações anteriores foi Prada na cabeça. Para o inverno, uma junção de vários desfiles da Lanvin de diferentes épocas. Separei apenas dois pois se fosse ficar procurando esse post não sairia à tempo.

Lanvin verão 2009 X Printing inverno 2010

Lanvin inverno 2008 X Printing inverno 2010


No caso da Têca podemos até culpar o stylist, vítima do inconsciente coletivo. Mas acabamos pensando que está parecido com o verão 2010 da Proenza Schouler demais para ser coincidência.

Proenza Schouler verão 2010 X Têca inverno 2010


Pensei várias vezes antes de publicar a comparação entre Balmain e Melk-Z Da por sua ótima apresentação no Fashion Rio. Em nenhum momento tenho a intenção de minimizar seu talento ou de qualquer outro estilista. Mas que ficou bem parecido, ficou…

Balmain verão 2010 X Melk-ZDa inverno 2010

Fotos: Marcio Madeira / Agência Fotosite.

Campanhas gringas Summer 2010

Fevereiro e março são meses  interessantes não só pelas semanas de moda em NY-Londres-Milão-Paris mas também pelo debut das campanhas da estação atual. Indicadores das vontades de cada público, tem o poder de transformar uma imagem não tão atraente que projetada no desfile em desejo de consumo imediato. Infelizmente nem todos os anúncios tem esse efeito de alavancar vendas. A produções da safra summer 2010 acabaram se mostrando com qualidades distintas que resolvemos classificá-las para compreender melhor como funcionou a a cabeça dos fotógrafos e diretores de arte nessa temporada.

  • Decepção à vista:

Os anúncios abaixo podem ser considerados verdadeiros repelentes de consumidores,  dada pela clássica falta de ousadia – ainda resquícios do pós-crise, acredita? – traduzida em desastres fotográficos. Explico: fotos chapadas (Jean Paul Gaultier, em especial), styling óbvio (Salvatore Ferragamo,  YSL, Fendi e Chloè) ou beirando à feiura poluída (Mulberry e Versace) estragam o verão de qualquer um.

Salvatore Ferragamo
Modelo: Claudia Schiffer
Foto: ?

Fendi
Modelo: Anja Rubik
Foto: ?


Yves Saint Laurent
Modelo: Natalia Vodianova
Foto: Inez & Vinoodh


Givenchy

Modelos: Mariacarla Boscono, Natalia Vodianova e garotos.
Foto: Mert & Marcus

Chloè
Modelo: Raquel Zimmerman
Foto: ?

Jean Paul Gaultier
Modelo: Dree Hemingway
Foto: Inez & Vinoodh.

Mulberry
Modelos: Sasha Pivovarova e Viktoriya Sasonkina
Foto: ?

Versace
Modelo: Georgia May Jagger
Foto: Mario Testino.

  • Carne de segunda:

Não fedem nem cheiram e acabam quebrando um galho. Apelar para variações de camapanhas antigas nunca foi um problema desde que um detalhe ou outro fosse mudado para não parecer a mesma coisa da temporada passada. Burberry, Hermès, Giorgio Armani e Just Cavalli – que continua colocando Kate Moss ao lado dos boys e dentro minis apertados  – sabem bem o que estou dizendo. A D&G entrou nessa sessão por cair no clichê festa-com-as-meninas e porque jeans com jeans não é algo para ser levado a sério, mesmo.

Hermès
Modelo: Karlie Kloss
Foto: Paolo Roversi.


M Missoni
Modelo: Sara Blomqvist
Foto: ?

Giorgio Armani
Modelo: Nimue Smit
Foto: Josh Olins

Chanel
Modelos: Claudia Schiffer, Freja Beha e Jean Baptiste.
Foto: Karl Lagerfeld

D&G
Modelos: Katrin Kloss, Jacquelyn, Cato Van Ee
Foto: ?

Burberry Prorsum
Modelos: Emma Watson e Alex Watson
Foto: ?

Just Cavalli
Modelo: Kate Moss
Foto: ?

  • Hit do verão:

Para a temporada não ser um fiasco completo no que diz respeito a propaganda, selecionei aqui as opções inspiradoras, projetando desejo ou que pelo menos impressionando quem passa os olhos. As da Lanvin, tanto feminino quanto masculino, desparam como as melhores. Alber Elbaz conseguiu inserir sua bit of an action com maestria.  A abordagem mais streetwear e menos celebrity (olá, Jennifer Connelly!) da Baleciaga soou bem coerente. Tão coerente quanto a Madonna para Dolce & Gabanna, Steve Klein conseguiu retomar o lado sexy da cinquentona que andava meio sumido desde a LV. Falando em Louis Vuitton, bem melhor Lara Stone em meio as pombas do que Madonna photoshopada, né? Marc Jacobs acertou também em suas marcas próprias. Ele sabe que transgressão sutil e luz estourada é sempre a melhor fórmula. Quem também percebeu isso foi o pessoal da Celinè  que acabou chamando o Juergen Teller para decapitar suas modelas. Apesar do desfile não ter me atraído, a campanha da Prada nem me fez repensar se preciso de uma bolsa cinza envernizada. Eu não preciso, eu apenas quero. Pronto. Dever cumprido.


Lanvin

Modelo: Jamie Bochert
Foto: Steven Meisel

Lanvin Menswear
Modelos: Inez van Lamsweerde & Vinoodh Matadin
Foto: Inez van Lamsweerde & Vinoodh Matadin

Marc Jacobs
Modelo: Jamie Bochert
Foto: Juergen Teller

Balenciaga
Modelos: Patricia, Iselin e Mirte Mass
Foto: Steven Meisel

Céline
Modelo: Carmen Kass
Foto: Juergen Teller

Prada
Modelo: Rasa Zukauskaite
Foto: Steven Meisel


Dolce & Gabbana

Modelo: Madonna
Foto: Steve Klein


Louis Vuitton

Modelo: Lara Stone
Foto: Steven Meisel

Marc by Marc Jacobs
Modelo: Hannah
Foto: Juergen Teller

Valentino
Modelo: Dree Hemingway
Foto: Mert & Marcus.

Update: Antes de publicar dei mais uma pesquisada para ver se achava alguma imagem nova e acabei me deparando no Cajon DeSastre com um bafo envolvando as campanhas. As respectivas marcas tão achando ruim verem suas peças publicitárias expostas internet a fora antes mesmo das revistas chegarem as bancas. Francamente, esse povo é burro? Mídia espontânea chamando, gente! Não tem anúnicio em Harper’s Baazar que faça mais efeito do que uma renca de blogues de moda comentando sobre. Cada qual com sua pespectiva de marketing, né? Repassando os links do Cajon, dá para saber mais sobre no Jezebel e no The Cut.

Fortaleza Feelings: o video do encontro!

Acima está a recordação mais paupável do encontro de hoje à tarde. Infelizmente meu 3G não é essa coca-cola toda e aparentemente fez a gravação ficar lenta, com poucos frames por segundo. Afinal, foram quase duas horas e meia de conversa. Porém, o audio continuou intacto. Apertar o play e deixar rolar independente da imagem é a melhor dica, do mesmo jeito que a gente faz com os podcasts, né? Ah, obs.: a real transmissão começa aos exatos 7 min pois demorei tudo isso para confirmar que estava tudo funcionando. Coisa de iniciante em broadcast.

Pela enésima vez eu sinto a necessidade de agradecer a todos os participantes e ao restaurante Verdelima, que mesmo não tendo nos cedido seu lindo wi-fi aguentou os momentos calorosos da conversa em que falamos com alguns decibéis a mais. E sintam-se livres para dar continuidade a idéia. Eu ia morrer de orgulho se isso acontecesse.

Ps. A Bia Guedes do Passion 4 Fashion não pode comparecer pois teve uma severa alergia e precisou inclusive, parar no hospital. Bia, todos sentimos sua falta e desejamos melhoras.

Fortaleza Feelings: blogueiras de moda unidas

Resolvi fazer bom proveito da minha estadia na cidade solar para investigar de perto um fenômeno que muito me intrigava: blogs de moda cearenses. Intrigava porque quando inaugurei esse espaço, em abril de 2007, desconhecida de qualquer outro endreço editado em Fortaleza que também tivesse moda como foco até em que 2009 se evidenciou o BOOM desse tipo de mídia na cidade.

Não me contentando em ficar de longe assistindo ao debut blogosfera fashion local, optei por reunir todos os autores representativos da cena para uma conversa franca, quase sincera. Afinal, quem melhor que eles para contar o caso como se deu? A proposta é espécie de encontrinho, em moldes similares do que era feito pelas blogueiras paulistanas sendo que com um plus:

Como? Nossa reunião será transmitida ao vivo via USTREAM em formato de chat, possibilitando a interação dos leitores. Quem preferir pode participar também por twitter enviando perguntas para o @ClarissaMachado.

Quando? Na terça-feira, dia 5 de janeiro, à partir das 12:30 no pelo programa cara do abuso no USTREAM.

Quem? Com Wedson Lierbth, do GETTING UP!, Priscila Furtado, do Coisas que me distraem, Clara Dourado, do The Nerd Fashionist, Andrea Fialho, do Vanguarda e Biatriz Guedes, do Passion 4 Fashion, mediados por Mariana Marques e moi.

Quer dizer: prepare o bloco de notas com questionamentos pertinentes e não deixe de sintonizar nosso canal no USTREAM na data e horário marcado. Oportunidade como essa não se posta todo dia.