sobre a crítica

19 05 2007
(ela em em si e quem vos escreve)

movida pelo humor, tiro os dias mais ácidos para resenhar runway reviews como as do post passado pois é justamente o que certos desfiles me sugerem: acidez. não todos, claro. muita coisa batida, dualidades que não entram em harmonia, falsa ousadia, pretenção… tudo isso me consede uma acidez cega, seguida de um peso na consciência por ter (parec)sido cruel com os criadores. essa tonelada sobre minha mente aumentou ao ler as afrimações pré-críticas de Ricardo Oliveiros (Fora de Moda e BlogView) sobre o 2º dia da Casa de Criadores.

“Fiquei pensando no papel da crítica de moda. É muito fácil falar mal, é muito fácil não gostar ou gostar. É muito fácil ser leviano e não entender a importância da crítica. Afinal, a história da moda brasileira profissional é muito recente. O jornalismo de moda brasileiro é restrito a um grupo muito pequeno de pessoas. Toda a engrenagem que move este mundo particular também é. Sobreviver exclusivamente de moda é para poucos, pouquíssimos. Está na hora de cada um saber o papel que está desempenhando neste círculo da história.”

como uma facada no peito, me senti a mais leviana das inconsequentes por não me aprofundar tanto e logo desedenhar da maneira mais radical qualquer coisa que se mexa e tenha ausência ou excesso de cores. confesso, meu ganho de conhecimento teórico tem sido diário e sempre que possível. meu suposto erro até agora foi achar que opiniões extremas são sinônimo de profundidade, o que me impediu de ir/ver além.

na contra-mão da quinta-feira, vem dos dizeres de Antônio Pinto, meu performático professor de Laboratório de Criação, que leciona dizendo o quanto os designers deveriam agradecer aos críticios e principalmente aos consumidores por constatar qualquer adjetivo que fosse em seus produtos pois isso seria uma de que os mesmos não passaram indiferentes aos olhos do público/mídia e/ou precisam de uma melhora.

enquanto me aprofundo numa overdose de informações que a hipermodernidade me proporciona, fico dividida entre ambas as opiniões, desejando largar o extremismo sem perder a acidez, ganhando profundidade. e por aí se segue.


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