cara do abuso


Fashion Rio e o último golpe de misericórdia
Junho 17, 2007, 6:22 pm
Arquivado em: alusãozinha, moda | Tags:
antes de partirmos para o SPFW, que por sinal termina amanhã, algumas consideraciones:

quem achou o Fashion Rio mais fraco que nerd-nipônico com anorexia por favor levante o teclado. ok, se estiver difícil um sorrisinho após ler essa frase já está bom. não estou aqui proclamando aos quatro ventos que todos os desfiles foram péssimos etc e tal. por favor, não me venham com interpretações errôneas. mas é fato que até os mais sugestivos passantes fashionistas acharam morníssimo.

coleções similares, sempre utilizando os mesmos artifícios. todos os desfiles, por mais distintas que as marcas sejam entre si apareciam peças parecidíssimas sendo que ao invés de ter a estampa do outro, era impresso a suposta cara da marca. um bom exemplo disso foram os mini-vestidos balonê, presentes em todas as passarelas , a maioria deles sendo até o mesmo modelo mas com um ou outro diferencialzinho para não ficar óbvio que era “o mesmo”. tal fenômeno pode ser notado ainda mais descaradamente nos vestidinhos laranjas, que também batiam ponto em TODOS os desfiles. se teve um ou dois sem ele foi muito. fora, claro, das peças descaradamente copiadas, tão iguais que até um homem hétero leigo em assuntos estilísticos poderia constatar tamanha semelhança. por ser uma crítica amadora, e como já foi dito aqui, blogueira por hobby, posso falar sem medo que pra mim são sim, cópias. descaradas cópias. e não me acho mal-educada por isso. enquanto Glória Kalil (nada contra ela. tudo a favor das suas necessárias aulas de etiqueta) usa termos como “coleção tal tem ares de tal outra marca”, me esquivo a usar termos como “foi influenciado por”, “captou a essência de” ou “soou muito marca tal”. nesses momentos é que desço do salto, fico parecendo um apresentador de progama policial e falo “copiou mesmo e pronto”. c’est fini.

quanto à cartelas de cores, outros tons que os senhores estaram usando daqui a pouco entre eles estão o nude, que também será classificado com bege, off-white, cru e outras variações que foram criadas para confundir a cabeça e vender mais. não importa a peça, gênero ou o tecido(que muitas vezes serão esses tecnológicos tão em volga ou mesmo o bom e velho cetim de seda), eles estaram lá. outro tom que também sempre dava o ar da graça era o azulão. desculpem-me a ignorância mas não consigui encontrar termo para melhor designar esse tom que tanto vi nos mini-vestidos. e nada saudável onda dualista, temos sempre o bom e velho preto. ai, santo luto da Chanel que sempre colocou o preto em tudo o que não se mexia. se você está se perguntando: “por que logo ela que sempre presa pelo conforto e estética do look está vangloriando uma cor que gera calor em pleno verão?”. ok. duvido que você tenha pensado algo do tipo mas respondo a interrogação mesmo assim: porque em meio a tantos laranjas, nudes, azuis, estampas gráficas, verdes-lima e outros derivados berrantes da ondinha new-rave, é sempre bom ter um pretinho pra quebrar. calma, não preciasa esconder os cristais. qualquer persona que começou a trabalhar na área depois do ano 2000 sabe que para burlar a mesmice, joga-se algum artíficio totalmente oposto mas não menos a ver que o preexistente. preto é bom e eu gosto. quem não?

não quero ser alimentadora do monstrinho moda e acabar engodando-o com efemeridade mas convenhamos, foi só um repeteco de todas as tedências que já conheciamos desde o inverno passado. pra se ter uma idéia, colocaram até ankle-boots (eca!) em marca de beachwear (vide desfile da Blue Man). a bota-achata-perna-de-gente-normal esteve presente em várias passarelas sendo que levemente adaptada ao verão, carioca ou não. com aberturas na frente, dando uma de peep-toe ou mesmo com vazamentos ao lonto de toda a bota, formando uma pseudo-sandália, mas sempre marcando no tornozelo e estragando qualquer produzação de quem tiver menos de 1,80m. porém, algo que me deixou feliz foram o renascimento das pantalonas! alguém tem aquela vinheta de “Aleluia” aí? cairia perfeitamente nesse momento. é desse jogo de extremos que eu gosto. um dia, abre-se a Vogue várias sessões dedicadas às calças skinny. saí na rua observa todos os traseuntes usando a mesma peça. agora, uma folga para as pernas apertadas: pantalonas folgadas, ventildadas e confortáveis pra um verão com pitadas de anos 70. quem aposta num revival setentista? i do, mas a longo prazo. não estou decretando o fim da silhueta slim. além de não ter autoridade pra isso não sou a Anna Wintour. outro artigo que veio pra dá um tico de inteligência foi a cintura alta. até aprovo, mesmo com o receio de que para moças com buchinhos ou quadris latinos não seja lá uma escolha interessante. quanto à partes-de-baixo de terceiro escalão, não me apetece muito as bermudas, visto tanto no masculino quanto feminino, sozinhos ou debaixo de um microvestido. poderia eu ser sincera? acaba sempre me lembrando funcionárias domésticas com suas berdudas de viscolycra acima do joelho. não, obrigada. subindo o comprimento mais um pouco, temos as hot pants. do jeito que brasileiro é não duvido que veremos no Fantástico imagens de passantes usando-as em pleno calçadão de Ipanema. improvavél? também achava, até ver Sienna Miller usando-a por cima de uma meia calça preta (peça empidêmica, por sinal) em algum evento da vida. medo? muito. e se realmente pegar, os cremes firmadores para pernas vão vender horrores. gosto de pensar que tudo isso começou com o Lagerfeld no verão ‘07 da Chanel, como mesmo foi mostrado no post anterior. a imagem de Raquel Zimmerman só não fala mais do que mil desfiles com a mesma peça.

nos apetrechos: saltos grossos e laranjíssimos como vimos no desfile do Walter Rodrigues. plataformas simpáticas que acompanham as maxibolsas, essas, pedindo que suas usuárias diminuam a quantidade de tralha inserida dentro delas. tudo no vinil, verniz, couro. muitas vezes encontradas em variações metalizadas. chapéu, como não poderia faltar pra esquentar a cabeça dos fashionistas chatinhos num país tropical. o único modelo que está fora de cojitação é o da Cavendish. péssimo, com cara de surfista velho. lindos os da Salinas e os da Sta. Ephigênia. um acessório que me chamou atenção foi os suspensórios, visto convencionalmente em trajes masculinos nessa temporada carioca. sim, se você achou que vai pegar nas passarelas paulistas, acertou. outro artigo oriundo da gringa foi o foulard (lenço, em bom português) e que absurdamente deu o ar da sua graça. oriundo do desfile de INVERNO ‘07 da Balenciaga, foi aplicado na hora errada e na marca idem: Colcci colocando lenços amarrados à la terroristas árabes em pleno verão só mesmo pra seguir tendência? ah, me poupe!

na estamparia: grafismos, geométricos, urbanismo. alguns com brilhos salpicados, outras estampas supersolitárias mas com cores não menos berrantes em camisa branca, por exemplo. vi listras, várias, em cores idem porém religiosamente combinadinhas. vi o que não podeira faltar, já que se trata de um desfile a baixo do Equador: xadrez. revival grunge ou influência da coleção invernal de Jean Paul Gaultier? um pouco dos dois, eu diria.

por tudo que foi escrito até aqui é que a imagem do quadro A Liberdade Guiando o Povo, de Eugène Delacroix está lá em cima. após muito explanar sobre os desfile, tentando ler o que os mesmos diziam, éis que chega a hora do carão. nada relacionado a feições blasè, egípcias e afins. refiro-me a necessários puxões de orelhas que precisamos dar com regularidade.

então, senhores leitores, senhores designers, fashionistas, fashionvictins, fashionwhatever… vão ficar aí achando tudo lindo e renovar o guarda-roupa novamente e sem necessidade? vão ficar caladinhos e continuar comprando mesmo achando uma mesmice? ou no máximo vão dizer que tá “morninho” pra não desvalorizar os colegas de trabalho? desculpa, não jogo pra esse time.

observando tudo isso vejo claramente a extrutura mais primitiva da moda. para os que faltaram as deliciosas aulas de história uma canjinha de uma aluna esquecida: com o crescimento do capitalismo a consequência foi o comércio e a formação dos burgos, não necessariamente nessa ordem, o habitat natural dos queridos burgueses. esses viam as roupas da corte de Luis XVI e Maria Antonieta, ostentateurs-mor da sociedade decadente, achavam lindas e acabam fazendo o que? o mesmo que fazemos hoje: COPIANDO-AS. e é assim que queremos continuar? como meros burgueses pobres sem cojones para criarmos verdadeiramente as nossas coisas? tudo bem que isso ocorria nos anos 70, quando produtos internacionais não entravam no Brasil e as lojistas haviam de viajar, trazendo uma peça de casa do que mais bombasse nas melhores capitais para refazer e vender para o público local. agora não temos mais desculpas pra continuar copiando descaradamente. antes de escrever esse texto dei uma pesquisada em catálagos italianos de duas datas, 1989 e 1997. como já era de se esperar, ambos já continham o que chamamos hoje de tendências mas nenhum dos dois dotava de cópias óbvias como foi visto nesse Fashion Rio. não estou dizendo que não ocorreram “semelhanças” nos eventos de moda no hemisfério norte. ô se ocorreram! sendo que a sutiliza foi tamanha calou a boca de muitos e enxeu o coração dos mesmos de esperança, anseando por temporadas mais frutivas. apenas. já que meus anseios não alcançam terras distantes, prezo pelo que tá perto de mim, o que vejo passar diante dos meus olhos com um leve desgosto e certa desaprovação.

se alguém entendeu meu pedido, por favor, tomem logo essa Bastilha Fashion! não precisa degolar os estilistas renomados de ready-to-wear e haute cuture. basta apenas esquecer o perfume, as influências, a atmosfera de, e principalmente não copiar.

gratíssima.


5 Comentários até o momento
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E vamos falar sééériiow!
Tem gente q não se toca mesmoww!
hehehe e copia tudo e todos sem dar a menor cara pra bater, fica se escondendo atras de ”tendência”.. JÁ DEUUU….
Gata, pira na coleção da Glória Coelho… até então eu sempre estive literalmente, cagando e andando para ela e sua familia ”batida”… by the way, vivendo e aprendendo! Do tema ao tecido utilizadom, histórinhas e coisitas puxadas da mente de uma criadora.. (beeem doida, mas criadora)
Ansiosinha pra ler os próximos posts..Besos

Comentário por amiga q pede licença!

gente, parece que vocÊ tava advinhando! eu sempre acho a glória coelho e o reinaldo lourenço superrepetitivos entre eles mesmos. parece que combinam entre si o que vão usar e sempre fazer criações supersemelhantes. glória é pior que chanel nos anos 20: não saí do preto. e reinaldo com sua alfaitaria de punk de butique. até acho o filho promissor. digo isso mais pela precocidade do moleque do que pelas peças em si.

cara, já disse e vou repetir, se cê quiser se comunicar por uma forma mais ortodoxa do que essa, é só me diz que eu te dou o meu msn.
:*****

ps. acredite. pode soar piegas mas os seus comentários são incentivo pra postar cada vez mais e mais rápido.

Comentário por Clarissa M.

hehehe

E eu.. chego. Olho meu flog, olho meu orkut, e corrrooooooo ver oq vc posta por aqui.
É laboratório. É comunicação. É gnt fazendo ”coisas”. É muito legal, meeeessssmo.
Oh, apesar de preferir postar aqui e a gnt ficar se falando assim, (mesmo que os outros leiam, pelo menos quem sabe eles não absorvem oq a gnt tem de bom!!!?)
hehe, vou te add!

Besos!

Comentário por Licencinhaaaaa

mulher, assim até parece que cê tem medo de mim :~

Comentário por Clarissa M.

Cença,que isso querida, jamais!

Comentário por :)




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