fashion trues

12 01 2008
O Fashion Rio atrasa. E muito. Para uma compreensão rápida, é como se houvesse um segundo horário de verão reinando somente sobre a Marina da Glória. Principalmente se for depois das cinco da tarde. Se o desfile está marcado pras 20:30, nem se preocupe. 21:30 o locutor fala que “dentro de 15 minutos o desfile da marca tal começará”. A espera pelo início da apresentação tem a mesma trilha sonora: uma seleção de hits da rádio Oi. Músicas de ontem e de hoje são reproduzidas em ordem imutável. Ouvi Seu Jorge pelo resto dos tempos.

Detalhe esse que pode ser ligado à poluição visual requerida pelos patrocinadores. Logos da Oi e C&A gritam por todos os lados. Lounges, telões, brindes, paredes, papelzinho com o line-up… Tudo onde fosse possível imprimir a sua marca. Porém, uma coisa que não se deixou a desejar foi os quitutes da sala de imprensa. Sempre frutas, fondue frio de chocolate, barra de cereais, água e coca-cola à vontade.

Nos intervalos, um presente para quem redigia notícias quentes: sanduichinhos com inúmeros recheios enganavam a fome de quem não queria se entregar à microempada de R$5 do Cafeína e nem queria ser cobaia do Spoleto Mio. A nova invenção da rede de bandejão italiano de luxo é um caso a parte. Aventurei-me no último caso, pois o Spoleto que todos conhecemos morreu junto com o encerramento do Fashion Business e o único stand com comida “de panela” que havia localizava-se em frente ao Salão Corcovado. Quase R$ 20 e meia hora depois percebi que não conseguir aquela farsa cara de raviollini de gorgonzola (que parecia queijo minas) e nozes. Um caso a (tentar) comer e outro a contar.

Nos primeiros dias, uma coisa que me deixou intrigada foi à quantidade de Veras Loyolas que fazem questão de rumar numa quente tarde de janeiro até a Marina só para assistir aos desfiles. A própria foi uma que estava na fila A (setor ímpar, diga-se de passagem) com direito a cachorro no colo. Estranho também foi ver de perto a ignorância das marcas ao deslocar jornalistas das primeiras cadeiras para colocar, por exemplos, as gêmeas do nado sincronizado. Só mesmo carioca para achar que isso pode agregar valor a alguma coisa.

Aliás, pedantismo não foge a realidade dos nativos. Assessores de imprensa estressados que do meio pro fim não faziam muita questão de ajudar editores novatos. A indiferença diante da entrada para imprensa bloqueada gritava “te vira”. Como já foi dito, dentro das salas, os comunicadores calouros pareciam cães sarnentos sem dignidade. Não só as gêmeas eram ameaça como também amigos e parentes dos assessores que tinham garantia de primeira fila no que quisessem assistir. Nepotismo descarado.


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