Lição de moral com linguagem de auto-ajuda

23 01 2008

Reza a lenda de que é sempre bom se certificar que não tenha nenhum cearense por perto antes de levar uma queda, pois ele provavelmente vai “mangar” e gritar um “iiiiiieeeeeeeeiiiiiii” na seqüência. Tradição mais forte do que nas demais culturas, os nascidos na terra rachada são de dar conta da vida e roupa alheia, principalmente se a vítima não apetece o observador. Então o Cara do Abuso questiona: a liberdade fashion de ir e vir em São Paulo transcende a de Fortaleza?

Um boné xadrez rosa em uma cabeça masculina que transita pela Paulista nunca vai deixar de ser outra coisa. Já o mesmo adorno em pelo Parajana (ou Del Paseo) pode ser um gerador de suspeitas para alguns. Facilitando o entendimento, elimine as chances de o passante ser um mero victim. A peça continua superok na Paulicéia. Já na Aldeota… Por quê? 2 milhões de habitantes e uma classe média de pós-adolescentes reduzidíssima com seres encubados que crêem que maxibolsas femininas em fashion week local é o máximo de ousadia que se pode ter.

Enquanto o kit(sch) Wayfarer + skinny + t-shit fluo + allstar branco já está cansado mundo a fora é que a juventude new rave fortalezense vai começar a usar. E dá-lhe rótulo de hype por parte da massa ignorante. Mal sabem o quão datado o look está. Atraso na troca de informações de estilo entre a cidade solar e o resto da humanidade é o de menos quando comparado aos comentários sobre a vestimenta alheia.

Gordinhos com listras horizontais merecem toques. Já moças com faixa cáqui na cabeça definitivamente não fizeram figuração em filme sobre a 2ª Guerra. Apenas improvisaram por não poder pagar pela versão em veludo cinza da Huis Clos. E uma calça de color demin vermelha é só uma calça de color demin vermelha e não a parte de baixo do figurino do Tiririca. Traduzindo: styling pode ser criticado. Estilo não.

“Somente o óculos pra justificar a faixa. Principalmente no Siará”, disse uma amiga

Os paulistanos normais podem compartilhar a estranheza de ver uma mulher de 38 anos indo à padaria com uma saia preta de pontas assimétricas sob coturnos. O respeito se instala ao classificar automaticamente aquilo como comum. Mais uma pessoa que vai a padaria comprar trufas ou cerveja gelada numa sexta à noite. Algum problema? Em Fortaleza, dada suas proporções geográficas e sociais, saberíamos quem ela é, seus amigos de Orkut, seus ex-namorados, ocupação e completaríamos: “Ai, que saia horrível”.

Nunca pretendi ser Miss Whatever, nem pregar a paz mundial entre palestinos, judeus e trashionistas, porém clamo dramaticamente por um respeito cosmopolita para com a vestimenta alheia. Quem mexe com moda por aqui remove mundos e fundos para estar à dianteira dos acontecimentos, mas acaba agindo como o mais retrógrado dos conservadores por esse considerável erro de conduta.


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2 respostas para “Lição de moral com linguagem de auto-ajuda”

4 02 2008
seu mindinho (13:35:00) :

Esse texto deveria virar estampa de camiseta!

Sabe aquela gente que usa oração de São Jorge?

Mais ou menos isso…

12 02 2008
.clara dourado. (20:16:00) :

E não clamam todos com um mínimo de bom senso?

:***

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