Arquivado em: moda, preview | Tags: Almanaque Anos 90, anos 90, Antoine Arnault, Beastie Boys, Chanel, Christy Turlington, Claudia Schiffer, Corona, Culture Beat, Escada, Eva Herzigova, Haddaway, Juno, Karl Lagerfeld, Last Night, Linda Evangelista, Louis Vuitton, Moby, Prada, Salvatore Ferragamo, Spike Jonze, Tara Mcpherson
Quem mexe com moda já sabe do que o começo do século XXI se trata: releituras. Tedio para midiáticos, sensação de deja-vu pra massa e agonia para estudantes que correm, cheios de questionamentos para os professores de História da Moda. “Não há mais nada para criar em cima do corpo humano. Tudo já foi feito anteriormente. O negócio é reler”, ouvi minha própria professora dizendo.
O resultado não preciso nem mencionar. No swing de décadas já rodaram anos 50, 60, 70, 80… Não necessariamente nessa ordem. Seria ironia demais ou simples falta de escolha usar os 90’s como berço de referências para as próximas temporadas? Independente da resposta, temos uma lista de elementos que estão sendo ressussitados.
- Supermodelos.
Item que aponta com clareza a direção dos acontecimentos. Tops que mal chegam a completar vinte anos estrelando campanhas direcionadas para mulheres de mais de quarenta soa confrontante em uma época em que a consumidora quer mais que idolatria, admiração ou desejo. O público pede uma identificação maior. Não foi há toa que Antoine Arnault, diretor de comunicação da Louis Vuitton, elegeu novamente Eva Herzigova para os anúncios do inverno 2008/2009. Assim como Karl Lagerfeld, que pela terceira vez consecutiva convidou Claudia Schiffer para liderar as campanhas da Chanel e Salvatore Ferragamo. Ah, tem também a Christy Turlington, que fez Chanel há pouco tempo mas agora fica com a alemã Escada. Sem falar em Linda Evangelista, que causou comoção quando se confirmaram os boatos que posaria para Steven Meisel vestindo Prada. A escolha de Miuccia mostra o que a sua e todas as marcas tem em comum ao mudar radicalmente seu casting publicitário: expressar poder por ícones conhecidos e que poderiam ser as próprias clientes.
- Juno.
Figurino grunge não é tudo. Listras, xadrezes, as clássicas camisas de flanela, as meias na hora do parto, o quarto e o telefone-hamburguer como citou Ricardo do untitled, podem ser prova o suficiente para uns que os anos 90 realmente estajam por aí. Só não quer dizer que se o contexto em que se são usados se encaixe com a atualidade. Ainda parafraseando o blogueiro, “o diretor Jason Reitman esqueceu uma coisa: a Geração X não faz mais sentido nos anos 2000. Se nos anos 90 os “jovens” não sabiam o que queriam, isso não se aplica mais em 2008. Todo adolescente sabe muito bem o que quer da vida. Somos forçados a saber o que queremos ainda muito novos. A sensação de insegurança e incerteza vai cada vez menos fazendo sentido nos anos 2000. O acesso a todo tipo de infromação já é uma realidade. O mundo já é “globalizado”. A família já não existe mais. E ninguém mais sofre com isso. Essa não é mais uma angústia”. Realmente. Moçinhas espertas de 16 anos com diálogos eloquentes de hoje tem conhecimento de métodos contraceptivos mas adorariam cobrir seu quarto com posters da Tara Mcpherson como a protagonista. De uma forma ou de outra, o peixe acaba mordendo a isca. Por mais que irreal seja a situação apresentada na película, acaba se torna vendável aos saudosistas e à geração Y, sucessores da X que curtiu parte da infância e pré adolescência em meio aos 90.
- Last Night do Moby
Conversa vai, conversa vem e um amigo dj solta: “Não gosto desses noventismos que tão rolando por aí”. Melhor do que descobrir como ele ficou sabendo é conhecer a fonte da descoberta em si. O novo álbum do Moby trouxe toda a confirmação musical da invasão nineties que poderiamos desejar. O single Disco Lies (acima) não só tem cara de hit como a sonoridade lembra nomes da dance music como Corona, Culture Beat ou Haddaway além do video recordar as peripércias que Spike Jonze fazia com os clipes dos Beastie Boys na década passada.
- Almanaque Anos 90
Para concluir, o pacote que faltava na estante dos neonostalgicos. Depois de lançar as versões 80’s e 70’s, a Ediouro continua acompanhando a dança das cadeiras das décadas. O livro não tem só a função de alimentar saudosismo. Em vários momentos, confirma que pouco mudou de dez anos para cá. Social, politico ou economicamente não houveram mudanças que fizeressem alguma diferença, como reafirmou Luigi do About Fashion. O que sobra? Viver num repeat globalizado? Reabraçar o minimalismo? Ou simplesmente aceitar que o Y seja o novo X? Parece que mesmo com esclarecimento, confirmismo permaneceu.
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[...] on the street 13 11 2008 Depois vem neguinho dizendo que os anos 90 não tão aí. Ahm-ham. [...]
Pingback por 1998 on the street « Cara do Abuso Novembro 13, 2008 @ 1:41 am