Dia desses tava indo fazer uma matéria com a Aliny e passamos de carro ao lado do Shopping Aldeota, na lateral em que fica a Meia Sola, tradicional multimarcas de sapatos da capital cearense. O comentário de ambas se baseou no susto pela fachada – estampada com a campanha atual – parecer tão jovem. Minha reação não poderia ser outra se não brincar, dizendo que o pessoal do marketing acabou vendo o post em que comentava que as peças da Meia Sola estavam evelhecedoras. Brincadeira que me parece cada vez mais séria, principalmente após ver com mais calma os anúncios.
Antes não havia nenhuma publicidade dedicada especificamente ao público jovem, quanto mais um outdoor com toda edição, styling e linguagem visual para moças de vinte. Não é à toa que nosso choque foi imediato.
Em vinte anos de loja, nunca houve nenhuma segregação pela idade da consumidor. Sempre deu para perceber a uniformidade dos anúncios anteriores, sem maiores variações propositais de estética. Tanto que na campanha atual os textos deixam claro a generalização etária do perfil da consumidora.
A cliente original, uma mulher dos seus 40 e poucos anos que circula pelas classes A e B, pode acabar não captando qual é a das propagandas. Fatores como conservadorismo dificultam a compreensão da campanha, pincipalmente quando se fala na parte gráfica. Nem o diretor de arte mais hypado aprovaria um contraste de elementos tão intenso. A imagem acima é o melhor exemplo: a quarentona-luxo representada ao lado de uma kombi com ilustrações lisérgicas. Um não conversa com o outro de forma alguma. Sem falar no texto, que mostra claramente as vontade de atingir também às de trinta e vinte. Como dá para notar, nos anúnios anteriores a diferença é mais sutil.
Tudo isso dá um nó na cabeça de quem compra. É confuso ao ponto de ficar se perguntando “espera aí, isso é para mim? eu sou essa mulher?”. Por mais que as três mulheres estejam bem definidas, no fim das contas acaba sem foco. Só espero que não continuem repetindo o mesmo erro pois aí não é o foco que vai se perder, e sim a identidade visual. E olha que refazer a identidade de uma multimarca não é lá muito fácil.









