Numa dessas tardes calorentas de Fortaleza, estavamos eu e minha chefe decidindo detalhes sobre o desfile da marca em que ela trabalha quando seu celular toca. Era alguém da Editora Abril convidando-a para cobrir o Ceará Summer Fashion por uma publicação não revelada. As perguntas na seqüência do convite eram se ela era formada em jornalismo e atuava no sindicato da classe. Como ambas as respostas foram negativas a pessoa no outro lado da linha pareceu mudar de atitude enquanto Aliny argumentava: “Mas até a editora de moda da Vogue, a Maria Prata, é formada em moda e escreve”. Infelizmente, não teve justificativa que desse jeito.
Cinco minutos depois, o celular da vez era o meu. Para nossa surpresa, era a mesma moça da Abril. Como já era de se esperar, ela não se surpreendeu com o fato d’eu estudar simultamentamente moda e publicidade e continuava ansiando por um jornalista do sindicato. Motivo: a empresa exigia. “O Ministério do trabalho tem caído em cima”, retrucou. Já que era uma determinação de força maior não seria eu que faria a diferença. Só me restou alertar sore o mercado local: “Nessas condições você não vai encontrar nenhum profissional de qualidade que realmente entenda de moda pois a imprensa daqui é toda baseada em páginas policiais e coluna social. Raros são os caoss de bons jornalistas, quanto mais de moda”. Desliguei com uma certa pena dela pois nem se quer havia alguém para indicar.
Em apenas alguns segundos bateu uma frustaçãozinha. E a chefe bem complementou: “como todo mundo pode fazer nosso trabalho mas a gente não pode fazer o de ninguém?”. Pior que é mesmo. Editoras bombadas desenham sapatos carérrimos, peruas criam coleções que são apenas extensões de seus guarda-roupas… E nós? Levamos gongadas telefônicas por preferir ter um embasamento de moda ao ínvés de meros conhecimentos jornalísticos? E no meu caso específico, que optei por publicidade para ser ainda mais incisiva na parte editorial, como fico? Como tantos outros profissionais com diferentes formações trabalham em publicações sem problemas? É uma exigência somente da Abril? Espero sinceramente que sim pois não pretendo passar ainda mais dois anos buscando um canudo jornalístico.







Olá! Se não me engano, a Ana Nadaf era a única jornalista que escrevia bem sobre moda, mas a última notícia que tive é que ela não mora mais em Fortaleza….não sei se é vero.
Quanto a todo mundo poder fazer o nosso trabalho é revoltante mesmo. Não somos respeitados como deveríamos, nosso trabalho ainda é visto por muitos como futilidade, nosso curso superior ainda é alvo de piadas.
Sou graduada em Moda pela Universidade Federal e lembro bem de um professor de Cultura Brasileira que disse que votou contra a implantação do curso de moda na Federal.
Começa por aí…, mas também existem os profissionais da nossa área que não sabem escrever não têm conhecimento profundo sobre moda ou sobre como é o mercado , a moda como negócio enfim.
Ah lembrei..tem a CIKA KALIXTO …você conhece?
Por: Regina em setembro 17, 2008
às 9:00 am
sim, regina, conheço sim.
mas pelo que eu sei, ela não escreve nada. só assina pois quem produz o texto mesmo são as assistentes.
já a ana eu conheço de nome. e ela tá morando em nova iorque mas vem sempre aqui pra ajudar na publicação da Seven Magazine. ela é ótima mesmo. sempre me pareceu muito cabeça aberta.
e o preconceito tem em todo canto. a começar pelos que pensam que a moda é puro glamour (ou puro hype).
beijos.
ps. não postei esse scrap no seu scrapbook pois ele é todo bloqueado.
ah, por sinal, adorei seu comentário. a ivna já havia me falado de você.
Por: Clarissa Machado em setembro 17, 2008
às 9:15 am
Oi Clarissa, eu sempre leio o seu blog, apesar de ser a primeira vez que tô comentando, porque realmente falta informação na mídia sobre moda daqui de Fortaleza especificamente.
Eu adoro moda e gosto muito de ler sobre, mas tudo que eu leio na internet sempre fala da moda do eixo Rio-SP, principalmente de São Paulo capital. 90% das coisas que eu sei sobre moda cearense eu leio aqui e vejo no M de Moda.
Por falar nele, a Marcia Travessoni é a única jornalista de moda que eu conheço daqui do Ceará.
:**
Por: Anna Luiza em setembro 17, 2008
às 1:01 pm
rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs
Por: Regina em setembro 17, 2008
às 3:00 pm
Bem, a Márcia também tem uma equipe que a auxilia nos textos e sempre dá um up tanto no programa quanto na coluna.
E para saber mais de moda local basta acessar o Profissão Moda, onde fazemos questão de focar mais coisas daqui :) http://profissaomoda.com.br/
Por: Clarissa Machado em setembro 17, 2008
às 11:29 pm
Clarissa,
não tenho como ficar de fora da roda. Até porque passei um bom tempo dessa “carreira de jornalista” ao lado da Ana (a Naddaf). Juntos, colecionamos afetos, desafetos e muitas gargalhadas. Então, tenho alguns pontos pra falar.
a) Sou leitor-divulgador-fã-colaborador das iniciativas da Aliny. Acho-a uma doida e, por isso mesmo, gosto muito dela. E é pessoal, mesmo. Mas o carinho se estendeu por toda a dedicação que ela mostra ao encarar essa missão punk que deve ser fazer o Profissão.
b) Nunca soube de credencial de imprensa condicionada a diploma. Isso não existe em grandes eventos no Brasil (no mundo, então, há!, piada!), que dirá aqui, nesta nossa terrinha. Acho tolice, pronvicianismo e, acima de tudo, burrice condicionar um press card ao fato do profissional não ter formação.
c) Uma vez acho que a Erika Palomino, numa entrevista, naquela correria uó de SPFW, me disse que esse negócio de jornalista de moda é muito estranho, simplesmente porque não há habilitação em “jornalismo de moda”. Mesmo assim sempre tem algumcolunista com “expertising” no assunto, se auto-intitulando “jornalista de moda”. De fato, até onde eu saiba, não há um curso específico neste sentido. Assim como não há um curso para “jornalismo médico” ou “jornalismo esportivo”. No máximo, algumas especializações perdidas sobre “jornalismo político”, “imprensa cultural” e coisas do gênero. Mas posso estar errado, até porque, meu approach com a academia sempre foi declaradamente nulo. Não gosto, acho desinteressante, desnecessário e só me formei pra ter direito a cela especial na delegacia.
d) A Ana não vem “sempre aqui”. Na verdade, depois que a Seven foi publicada, acho que ela nunca mais voltou a Fortaleza. Não por falta de vontade, claro, mas por falta de oportunidade, mesmo. Ela co-edita a revista online, mesmo, lá de New Jersey, onde vive (bem pertinho de NY). Comecei a cobrir moda por causa da Ana. Ainda era na época do Morumbi Fashion e fui escalado pra cobrir o evento em seu lugar. Generosa, me deu todos os bizús do evento e da fauna jornalística. E foi por causa da Ana que acabei conhecendo a Márcia e daí surgindo o M de Moda. Hoje, ao que parece, tá faltando mesmo é gente apaixonada por moda. Lato sensu! Tirando algumas poucas e boas iniciativas, tá faltando sangue na passarela e na vitrine, entende? Mas aí, vem a Aliny com o Profissão; vem você com o blog de estilo mais relevante pra quem deseja entender a “cena” no Ceará. E, com isso, eu, particularmente, me sinto oxigenado e menos solitário.
e) Mande o press card às favas, darling! Os eventos sabem que precisam de nós; essa atitude “seletiva” é puro truque. Se a tal credencial não sair, baby, a gente se junta e faz zoada, pode deixar.
f) E, convenhamos, atravessar a cidade pra chegar na Maraponga, tem que valer muito a pena. Eu, cá comigo, duvido (mas não espalha pra ninguém).
Por: Charles W. em setembro 19, 2008
às 1:54 pm
Não posso eixar de comentar a letra ( f ) com comentário acima.
Atravessar a cidade para chegar no Maraponga realmente não deve valer a pena pra quem procura uma moda conceitual, novidades bombásticas enfim…
Mas para um site que quer informar todo mundo do mundo fashion (ou não) sobre TUDO o que acontece deve valer a pena sim.
As marcas do Maraponga vendem moda comercial mesmo, os desfiles são simples mesmo…afinal as sacoleiras( as grandes compradoras) querem a modinha óbvia mesmo. E como moda é negócio, quem faz algo com a linguagem delas(sacoleiras) é que sai ganhando. Acho muito chato esse pessoal que critica demais…Moda é negócio…nenhum estilista em sã consciência pode fazer um trabalho que o seu público alvo não entenda, a gente deve falar a língua de quem vai comprar…claro fazendo um trabalho bem feito, com amor e sempre focando na venda, no caso Maraponga.
Por: Regina em setembro 22, 2008
às 9:25 am
Clarissaaa.. por isso que eu faço as duas faculdades! Jornalismo e Moda e minha pós vai ser em Jornalismo de Moda. A gente pode até pensar que é injusto.. Mas quem faz Jornalismo sabe o qto tb é injusto pessoas influentes na tv ou no jornal, tirando nossa vaga, sem ter a formação. Tem que tá em cima mesmo, infelizmente.
Beijoos! ;**
Por: Priscila Furtado em setembro 22, 2008
às 8:21 pm
” “como todo mundo pode fazer nosso trabalho mas a gente não pode fazer o de ninguém?”. Pior que é mesmo. ” Você não fica feliz quando vê alguém, sem formação, fazendo o seu trabalho. Porque você quer fazer o dos outros? Para podermos brigar pelos nossos direitos temos que respeitar os dos outros. Você deve passar anos estudando moda para poder trabalhar com ela, e aposto que se sente frustrada quando encontra alguém falando sobre o assunto sem ter estudado. O mesmo acontece com um jornalista.
;)
Por: Renata em setembro 23, 2008
às 8:42 am
Realmente é complicado. Para escrever sobre moda é preciso conhecer o assunto por interio, o mercado, o sistema, e não apenas dissertar sobre o que se vê na passarela(cores, tecidos, enfim), não apenas ter formação acadêmica. Eu acho que se eu fosse graduada em Jornalismo eu não gostaria de ver alguém se definir como JORNALISTA de moda(nem de nenhuma outra coisa). Da mesma forma que não gosto quando vejo alguém se definir como estilista simplesmente porque tem dinheiro, abriu uma loja e cofecciona roupas inspiradas nas roupas que tem no armário. Mas é complicado definir que alguém é estilista apenas porque tem um diploma. Não é bem assim.
Eu acho que algumas garotas aqui de Fortaleza poderaim sim, escrever muito bem sobre moda, e apesar de não concordar que elas não podem por não terem diploma de jornalismo..entendo o pessoal da área de comunicação.
Por: Regina em setembro 23, 2008
às 9:29 am
Complicado mesmo, como citou Regina.
Acho que formação é fundamental para qualquer área. Eu sou jornalista, mas não me considero preparada para falar de moda só porque gosto do assunto. Daí a importância de cursos específicos na cidade. Já que a capital é um pólo tão importante de moda no país, por qual motivo cursos de pós-graduação ou de extensão são inexistente por aqui? Não se pode exigir algo que não tem oferta ou ramificações no Estado.
Para driblar a situação, só adquirindo experiência e cavando seu próprio embasamento diante de tanta informação vaga e desencontrada. É preciso criar cultura de informação de moda.
A exigência que a figura da Editora Abril fez é necessária, sim. Jornalista, como qualquer outro profissional, tem regulamentação e direitos. Daí a insistência na discussão sobre a obrigatoriedade do diploma. Ela foi infeliz achando que o jornalismo local se dedica tão abertamente ao tema como outras localidades.
Infelizmente, não vemos na imprensa local uma cobertura de eventos de moda baseada em conceitos, idéias e análises do assunto. Somente meras vitrines com fotos bem produzidas e textos recheados de adjetivos e lugares-comum (sem contar as infinitas colunas sociais). Mas é tudo uma questão de iniciativa, como as meninas do Profissão Moda fazem tão arduamente.
Discussão saudável!
Abraços a todos.
Por: Verônica em setembro 27, 2008
às 1:48 am
quem foi que disse que não existe especialização no jornalismo em moda, esporte ou qualquer outra coisa? é, ainda bem que a pessoa que disse assumiu que não acha importante uma faculdade. por isso que falou uma besteira dessas!
Por: Meline Campos em novembro 5, 2008
às 11:52 pm
[...] aí pra isso, não é mesmo, minha gente? Até que um outro caso delicado bate à porta. No post “Na Mídia”, que discorre sobre a exigência de que só jornalistas estariam aptos a escrever para diversos [...]
Por: mãos atadas « Cara do Abuso em fevereiro 7, 2009
às 4:54 am
clarissa, sei que tou meio descontrolada lendo todos os posts e comentando tudo o que posso. mas nao tenho culpa de você ser tão espirituosa e prender a gente aqui com esses textos todos.
meu comentário dessa vez é pra saber se você conhece a mônica lucas, que também, como a ana, trabalha na seven, é jornalista, faz moda na ufc e tem o blog primeirafila.wordpress.com
eu acho que numa dessas indicaria ela.
imagino que você a conheça porque fortaleza é do tamanho de reriutaba e coreaú. então…
Por: mariana em março 31, 2009
às 11:48 pm