
post didático.
Todo mundo sabe que eu não sou fã número 1 de Fortaleza. Para compensar sempre vanglorio (com cautela) algo de novo que acontece. Uma inauguração de bar, djs e/ou bandas recém-lançadas, festas inéditas e projetos nunca antes vistos ajudam bastante quando se mora em uma capital onde inovações só ocorrem a cada ano bissexto. Por isso que gosto do Dragão Fashion. Por ser um evento de moda mas por dá uma sacudidinha (nem que seja de leve) na cidade por quatro, cinco dias.
Em outros tempos via o DFB com outros olhos. Achava meio nonsense a idéia de fazer reprises de desfiles já apresentados na SPFW ou Casa de Criadores pelo fato óbvio de todo mundo já ter visto. Ainda mais durante o ano passado, quando tive oportunidade de ver as versões originais para depois dar de cara com as reedições com modificações como looks a menos ou anulação de cenário. A graça poderia ter caido pela metade pra mim sendo que o público presente continuava deslumbrado. Foi aí que meu ponto de vista começou a mudar.
Percebi que mesmo com delay, valia à pena trazê-los pois ao aportar em solo cearense eles passam de meros desfiles adaptados à doses de cultura de moda. E cultura de moda é algo que está em défict até nos profissionais da área. Com cultura de moda tudo se exclarece: desde a saber interpretar uma crítica ou ver uma apresentação e conhecer as referências usadas pelo estilista. Ela pode começar assim, ridiculamente leiga, sentando na fila F e achando estranho meninas magras com roupas espalhafatosas e coisas penduradas na cabeça. Queira ou não, só em ver uma cena dessas espectador expande sua consciência, alargando-a para mais e maiores estranhezas trashionistas.
Olha que até agora nem havia mencionado as pratas da casa, que além de um charme à parte, valem minha ida ao Dragão. Se ver o público se inteirando dos nomes importantes da moda de aculá já é válido, imagina quando a moda daqui dá frutos! É o momento onde meu coração amolece, deixando de lado os possíveis defeitos para simplesmente admirar (mais uma vez, com cautela) tudo que for made in Ceará. Claro que na minha lista negra ainda contém elementos pavorosos como rendeiras, cangaço, índios, sertão e chita.
Se fosse possível, até daria uma estrelinha dourada para cada um que resolve dar a cara à tapa e desenbolsar mais de R$ 5 mil para mostrar sua marca e/ou agregar valor a mesma. Pena que vários dos que se apresentam anulam o lado comercial, sendo intoxicado pelo glamour da passarela e esquecendo que o propósito inicial de todo aquele circo é vender as peças mostradas. Uma pena similar sinto pelos que trazem trabalhos mal-acabados ou pobres de conceito. Para ambos os casos, trocos as estrelinhas por críticas construtivas, que devem ser bem recebidas. Afinal, estilista sem cultura de moda é uma tristeza só.
Para completar, o Dragão também ganhou pontos no quezito assessoria de imprensa que passou a acompanhar as outras fashion weeks ao credenciar blogs. Mesmo sofrendo uma avaliação da Indústria de Assessoria, foram credenciadas pelo Cara do Abuso uma editora (moi!) e uma fotógrafa (Suzana Campos, amiga minha e futura colaboradora dessas páginas) para a décima edição. E é de layout novo e deslumbrados como um passante da fila F que iremos domingo ao Centro de Convenções. Sendo que ao contrário do passante, nosso lugar é na fila A. Nada de status ou ego grande. Só para fazer jus ao nome do blog.







ô bicha escrota. sou tua fã.
e esperamos o relato. afinal, credenciada agora, tem que dizer tu-do.
(tenho que lembrar apenas que cupcake é uma marca que eu tenho com mais duas amigas. ninguém é estilista. candice, uma de nós, foi educada por uma mãe prendada e sabe fazer tudo. do origami à modelagem de roupa. tudo no feeling, coisa de quem tem mão boa. se aproveitando disso e da nossa coleta de tecidos em viagens, criamos a cupcake. de 3 em 3 meses, vendemos 50 vestidos, com nomes interessantes, acabamento honesto, tecidos que variam do algodão à seda pura, mas passando pela malhinha, tenho que dizer. não temos estações, cartela de cor definidas em cada trimestre, mas temos sempre um norte a ser guiado, um conceito a ser trabalhado e uma mulher que a gente pensa em vestir. dia 18 de abril tem mais um bazar. me mande seu e-mail que eu mando o convite pra você.)
Por: mariana em abril 3, 2009
às 8:38 pm
Me encaixo no time das leigas que têm que dar um jeitinho pra conseguir um convite. Não acho que tenha assim uma super cultura de moda, mas gosto do espetáculo, não tem preço ver de perto o q.
Por: Sônia em abril 3, 2009
às 9:30 pm
Me encaixo no time das leigas que têm que dar um jeitinho pra conseguir um convite. Não acho que tenha assim uma super cultura de moda, mas gosto do espetáculo, não tem preço ver de perto o que se vê pela tv. Do pessoal daqui, ainda acho algumas coisas feias. Nem todo estranho é feio, mas alguns são. Parecem mau feitos. Não acho ruim chita, indio, sertão, quando vem inteligente, tipo um desfile que vi num dragão passado, não vou lembrar quem, que era com tema dos benditos. mas não era um negócio com cara de caricatura. Achando ruim ou não, é nossa origem, não é não? Só não podemos ficar parados nela.
Por: Sônia em abril 3, 2009
às 9:33 pm
com meu pé em virgem é muito difícil passar algo impune. preciso enveredar de vez por esses caminhos.
=*
Por: Flávio Lopes em abril 6, 2009
às 9:07 pm