cara do abuso


Projetos: veneno antimonotonia fortalezense
Junho 15, 2009, 5:14 am
Arquivado em: alusãozinha, blogs, opinião | Tags: , ,

Pensei que minha ausência por aqui se prolongaria por mais tempo sendo que de dois dias pra cá vem batendo aquele tédio junto com uma vontade louca de expressar idéias pseudorrevolucionárias com leve ar de ingenuidade e sem papas no teclado, como me é de costume.

Não me pergutem as circunstâncias mas começei a refletir pela enésima vez sobre a cidade (Fortaleza) e suas possibilidades de trabalho em meios descolettes como o nosso. Claro que moda é sempre o foco mas dentro da incompetência mercadológica da cidade também estão inclusos profissionais da publicidade, fotografia, jornalismo e outros ramos que estejam fora da trindade medicina-direito-engenharia.

Academicamente a cidade está até suprida com a pós de Desenvolvimento de Produto na Marista (Faculdade Católica do Ceará) e a já conhecida de Styling e Imagem de Moda do Senac. Sem falar na promessa da graduação em Design de Produto pela UFC, universidade que para a tristeza dos filhos da Aldeota escolheu o Cariri para sediar o curso. Isso só para citar alguns.

Já que formação não é o problema,  o que ocorre quando, por exemplo, o indivíduo (estudante ou não) quer mexer com algo que envolva moda e mídia? E por mídia eu falo em um sentido generalizado. Seja impressa, alternativa ou televisiva as oportunidades são minúsculas. Conta-se nos dedos os veículos que se dedicam intera ou parcialmente ao mundo fashion. Para ser mais exata, pode se contabilizar dois jornais, cada um com sua respectiva coluna semanal e duas revistas. Falo duas pois não sei como se dará o desfecho da Seven após o falecimento de seu fundador e editor-chefe, Rogilton Conde. Particularmente é uma pena pois das publicações em questão era a que mais se desvinculava da peruagem exacerbadamente comercial a qual sustenta as revistas restantes.

Analizadas as estatísticas, qual o passo seguinte? Se consumir em desespero? Pensar seriamente em mudar de profissão? Achar que mais nada faz sentido? Tomar um porre? Culpar o provincianismo de uma capital nordestina virou um clichê, visto que reclamação por cima de reclamação não resolve nada. Nem enche barriga de ninguém.

Se crise é sinônimo de oportunidade, a atitude mais sensata é criar a sua própria através de projetos. Pequenos, médios, gigantescos ou astronômicos, são eles que prometem salvar a monotina fortalezense e dar calção a quem não tem.

Utopias à parte, eu mesma já me envolvi em uma quantidade absurda de projetos. Entre os mais memoráveis estão o GLAM, tv de moda online e o Trashionistaz, blogue de streetstyle que se propunha a caçar quem tivesse estilo em solo alencarino. Ambos regados com doses generosas de pioneirismo tiveram seus dias contados por pura falta de dedicação pessoal. Afinal, uma estudante simultanea de publicidade e moda não tem todo o tempo do mundo disponível.

Apesar do triste desfecho, esse é apenas um caso em particular. Dado seus méritos, pelo menos eu e as equipes tentamos colocar a coisa para funcionar. Pensamos em algo jamais implementado por essas bandas. Colocamos em prática pensando em fins lucrativos (anunciantes e afins) e/ou em possibilidades de trabalho nos grandes veículos através da divulgação do trabalho. E conseguimos! Tanto eu quanto a Isi Ventura, editora de video do GLAM chegamos a fazer parte do Profissão Moda que posteriormente se tornou uma família para nós. No Trashionistaz uma agência publicitária do Rio Grande do Sul entrou em contato conosco para anunciar no site mas um dos membros discordou do banner pois se tratavam de sandálias tipo Crocs. Não tivemos outra escolha se não desistir do anúncio.

O testemunho acima vem apenas para reforçar a idéia inicial de que projetos são a mola mestra para quem quer fazer as coisas funcionarem por essas bandas ou simplesmente ter seu ganha pão “garantido”. Revistas ou fanzines de qualidade independentes, pequenos eventos de moda, concept stores coletivas, portfólios e até blogs! Sim, Fortaleza precisa muito de uma blogosfera fashion. A quantidade de blogues de moda locais não completa uma mão. Seria mais do que interessante ter uma comunidade blogueira de moda que a gente pudesse se encontrar para papear sobre assuntos acerca (ou não) dos nossos posts como bem fazem as paulistas.

“Não esperar cair do céu” são palavras de ordem. Oportunidade de emprego incríveis não vão brotar da terra. Ao menos que você tenha lábia (também conhecido como “truque”, comumente passa a perna em talento real), pistolão ou uma ótima sorte de seu currículo cair nas mãos certas na hora exata, as coisas vão ficar do jeito que estão. O conselho serve para qualquer área. Da criação ao styling, a melhor solução para quebrar a inércia de profissionais insatisfeitos é o desenvolvimento de projetos eficazes para suprir necessidade de mercado. E no caso, necessidade de trabalho também. Não há hora melhor de colocar tudo em prática do que agora. Então, o que cê ainda tá fazendo aqui? Go, go, go!


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